Andrologia – Disfunção Erétil Psicogênica

Na literatura, a atenção é primariamente direcionada para a disfunção erétil(DE) derivada de causas orgânicas (ex: diabetes mellitus, trauma, cirugia pélvica…), sendo que, sobretudo na população mais jovem (<40 anos), merece atenção a DE não orgânica, derivada de causas psicológicas, psicogênicas.

Nesse sentido, a terapia farmacológica com inibidores de PDE-5 (iPDE5. Ex: tadalafila, sidenafila), medicamentos que reduzem a degradação de substâncias vasodilatadoras (aumentam a chegada de sangue) no pênis, já consagrada para a DE orgânica, deve ser analisada.

Sem dúvidas, quando falamos sobre psiquê e causas psicogênicas, é imperativo o trabalho multidisciplinar com a abordagem psicoterápica. Sendo assim, em uma meta-análise publicada Schimidt e col. (2014) no “The Journal of Sexual Medicine”, comparou-se a monoterapia com iPED5, abordagem psicológica isolada (PI) e a terapia combinada ( PI + iPED5), chegando à conclusão de que a abordagem combinada tende a promover resultados mais satisfatórios (via Índice Internacional de Função Erétil e questionários de satisfação sexual) no que tange à DE, apesar das limitações metodológicas.

Ademais, Jenkins et. al (2019), em um estudo publicado também no jornal citado, objetivou analisar o impacto da terapia farmacológica de iPDE5 na disfunção erétil não orgânica, sem o uso de abordagem psicoterápica direcionada (foi aconselhado buscar suporte para saúde mental, mas apenas 21% o fizeram e houve dificuldade em dar seguimento). O estudo contou com 116 homens entre 16 e 57 anos, com perfis hormonal e vascular normais, e diagnosticados com disfunção erétil não orgânica de leve a severa. Cerca de 55% dos pacientes responderam de forma consistente ao tratamento com sidenafila, tadalafila ou vardenafila. Entre 6 e 17 meses, 83% dos responsivos pararam de usar o medicamento, pois já não era mais necessário!

Portanto, o sucesso do manejo da DE psicogênica tende a ser ainda maior quando o tratamento é feito de forma integrativa, englobando o arsenal farmacológico, pois a disfunção erétil vai muito além da classificação binária “orgânica e não orgânica”, e a abordagem com iPDE5 pode ser um importante recurso para ajudar a recuperar a confiança do paciente quanto à sua função erétil, sobretudo dentre os homens que não se sentem confortáveis junto à abordagem psicoterápica e/ou têm dificuldade de dar seguimento com a mesma.

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